Papai Noel tem curso e barba realSeja no shopping ou no terminal rodoviário, papel exige dedicação, treinamento, bom senso e experiência
Clarissa Thomé
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De roupa vermelha e barba branca, de longe todo Noel de shopping e porta de loja parece igual. Mas eles estão profissionalizados, fazem cursos, desenvolvem estratégias para dar mais veracidade ao personagem - a barba postiça está praticamente abolida. E algumas vagas para o papel têm disputa acirrada.
O vendedor autônomo Ricardo Nery, de 51 anos, conquistou um dos empregos mais cobiçados deste fim de ano - o de Papai Noel de um shopping de luxo na zona oeste do Rio. O salário é o mais alto desta temporada (R$ 8 mil por 40 dias). A seleção disputada incluiu até teste com o "uniforme de trabalho" - e a rotina é dura. São oito horas de sorrisos e fotografias com as crianças, sob a luz de holofotes. Mas Nery não reclama. "Mesmo se ganhasse na loteria, trabalharia como Papai Noel."
Já são sete anos na função e, por causa da experiência, tornou-se instrutor da Escola de Papai Noel, mantida há 15 anos pelo diretor teatral Limachem Cherem. "Não basta vestir a roupa vermelha. É preciso ter sensibilidade e jogo de cintura para manter viva a fantasia da criançada."
Nery já passou por todo tipo de situação: uma menina levantou a roupa do Papai Noel para ver se ele era de carne e osso e se surpreendeu: "Você é de verdade!" Em outra ocasião, uma menina de 4 anos sentou-se no seu colo e ao ser questionada sobre o presente que queria ganhar, pediu o pai de volta. "A mãe tinha lágrimas nos olhos. Eu disse que, onde quer que o pai estivesse, iria querer o melhor para ela e que ela tivesse um Natal feliz. Ofereci a foto de cortesia."
A preparação para encarnar Papai Noel começa muito antes das festas de fim de ano. Vendedor de carros autônomo - no passado, chegou a se demitir para trabalhar como o bom velhinho -, Nery conta que os clientes estranham quando a barba, farta e branca, começa a crescer, a partir de maio. Os cabelos ainda estão escuros, e ele pensa em clareá-los, porque as crianças desconfiam quando percebem mechas pretas sob o gorro. "Estou um pouquinho acima do peso, mas isso não tem nada a ver com a preparação."
Nery diz que esse é o Natal do notebook e do popular videogame Nintendo Wii. "Em 2003, celular era o campeão dos pedidos. Playstation também teve a sua fase." Para não decepcionar as crianças, ele sempre repara na reação da mãe. "Se ela faz uma cara meio de desespero, eu explico que já recebi muitos pedidos como esse, e que o produto está em falta. Peço uma segunda opção."
A 35 quilômetros do cenário de luxo do shopping, que tem até montanha de arvorismo e tirolesa, outro ex-aluno da escola de Papai Noel trabalha em local bem mais modesto. O ex-taxista Orlando de Paula Cândido, de 55 anos, obteve a permissão para instalar no Terminal Rodoviário de Niterói, no Grande Rio, a casa do Papai Noel Candinho.
Um vizinho fez a estrutura. A filha, Fernanda Cândido - ajudante de Noel e fotógrafa -, improvisou a decoração do cenário.
Sem o conforto do ar-condicionado, Candinho sofre com o calor. Mas Fernanda não descuida da saúde do pai, hipertenso, e dá o remédio para controlar a pressão na hora certa. A foto ali custa R$ 10, metade do que é cobrado nos shoppings. Pai e filha imprimem a imagem na hora. O lucro, de menos de R$ 7 por foto (se não for preciso repeti-la), é dividido entre os dois e mais uma ajudante. "Vamos reforçar o nosso orçamento neste fim de ano", diz Fernanda, que está desempregada.
Os pedidos que o Papai Noel do terminal rodoviário recebe são bem mais simples do que os de seu colega no shopping. "Teve um menino que pediu uma mochila. Eu ainda insisti, perguntei se ele não queria um brinquedo. Ele disse que não, que a bolsa da escola estava muito velha", lembra Cândido e emociona-se.
Cada foto de Candinho acompanha um pirulito e um cartão de visitas, para contratação de eventos. Não imaginava que teria tanto retorno - mas não é exatamente o que ele queria. "Toda noite tem criança. Os dois noeis são nobres, eles tem os mesmos objetivos, levar a paz para as pessoas. O Importante são os sorrisos nos rostos das crianças.
O vendedor autônomo Ricardo Nery, de 51 anos, conquistou um dos empregos mais cobiçados deste fim de ano - o de Papai Noel de um shopping de luxo na zona oeste do Rio. O salário é o mais alto desta temporada (R$ 8 mil por 40 dias). A seleção disputada incluiu até teste com o "uniforme de trabalho" - e a rotina é dura. São oito horas de sorrisos e fotografias com as crianças, sob a luz de holofotes. Mas Nery não reclama. "Mesmo se ganhasse na loteria, trabalharia como Papai Noel."
Já são sete anos na função e, por causa da experiência, tornou-se instrutor da Escola de Papai Noel, mantida há 15 anos pelo diretor teatral Limachem Cherem. "Não basta vestir a roupa vermelha. É preciso ter sensibilidade e jogo de cintura para manter viva a fantasia da criançada."
Nery já passou por todo tipo de situação: uma menina levantou a roupa do Papai Noel para ver se ele era de carne e osso e se surpreendeu: "Você é de verdade!" Em outra ocasião, uma menina de 4 anos sentou-se no seu colo e ao ser questionada sobre o presente que queria ganhar, pediu o pai de volta. "A mãe tinha lágrimas nos olhos. Eu disse que, onde quer que o pai estivesse, iria querer o melhor para ela e que ela tivesse um Natal feliz. Ofereci a foto de cortesia."
A preparação para encarnar Papai Noel começa muito antes das festas de fim de ano. Vendedor de carros autônomo - no passado, chegou a se demitir para trabalhar como o bom velhinho -, Nery conta que os clientes estranham quando a barba, farta e branca, começa a crescer, a partir de maio. Os cabelos ainda estão escuros, e ele pensa em clareá-los, porque as crianças desconfiam quando percebem mechas pretas sob o gorro. "Estou um pouquinho acima do peso, mas isso não tem nada a ver com a preparação."
Nery diz que esse é o Natal do notebook e do popular videogame Nintendo Wii. "Em 2003, celular era o campeão dos pedidos. Playstation também teve a sua fase." Para não decepcionar as crianças, ele sempre repara na reação da mãe. "Se ela faz uma cara meio de desespero, eu explico que já recebi muitos pedidos como esse, e que o produto está em falta. Peço uma segunda opção."
A 35 quilômetros do cenário de luxo do shopping, que tem até montanha de arvorismo e tirolesa, outro ex-aluno da escola de Papai Noel trabalha em local bem mais modesto. O ex-taxista Orlando de Paula Cândido, de 55 anos, obteve a permissão para instalar no Terminal Rodoviário de Niterói, no Grande Rio, a casa do Papai Noel Candinho.
Um vizinho fez a estrutura. A filha, Fernanda Cândido - ajudante de Noel e fotógrafa -, improvisou a decoração do cenário.
Sem o conforto do ar-condicionado, Candinho sofre com o calor. Mas Fernanda não descuida da saúde do pai, hipertenso, e dá o remédio para controlar a pressão na hora certa. A foto ali custa R$ 10, metade do que é cobrado nos shoppings. Pai e filha imprimem a imagem na hora. O lucro, de menos de R$ 7 por foto (se não for preciso repeti-la), é dividido entre os dois e mais uma ajudante. "Vamos reforçar o nosso orçamento neste fim de ano", diz Fernanda, que está desempregada.
Os pedidos que o Papai Noel do terminal rodoviário recebe são bem mais simples do que os de seu colega no shopping. "Teve um menino que pediu uma mochila. Eu ainda insisti, perguntei se ele não queria um brinquedo. Ele disse que não, que a bolsa da escola estava muito velha", lembra Cândido e emociona-se.
Cada foto de Candinho acompanha um pirulito e um cartão de visitas, para contratação de eventos. Não imaginava que teria tanto retorno - mas não é exatamente o que ele queria. "Toda noite tem criança. Os dois noeis são nobres, eles tem os mesmos objetivos, levar a paz para as pessoas. O Importante são os sorrisos nos rostos das crianças.
Nao importa o lugar de trabalho, o importante é participar com carinho e dedicação. Não basta vestir a roupa vermelha e branca e sair fazendo ho!ho!ho!
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